E foi no que sobrou de mim
onde já estava morto,
vi a última luz que me restava
pra me livrar desse sufoco.
Um último resquício de paz
último sussurro de vida,
última gota capaz
de sarar minha ferida.
Haja poesia pra tanta angústia
consumindo tudo que me resta,
pois ao parar de frente pro futuro
e espiar em fina fresta,
vejo o quanto será duro
alcançar alguma vida,
que valha a pena um murmúrio
ou um berro de agonia.
E vou me derretendo
na chama incandescente do passado,
ele me fez o que estou vendo
mesmo quando vejo o lado errado.
Sou torto nesse mundo
onde minha alma se esvazia,
fico como um buraco sem fundo
repleto de nostalgia.
terça-feira, 27 de abril de 2010
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